Publicado por: alaompe | 27/09/2010

Uma Estrela no Céu

Por Anchieta Antunes

Cintila para iluminar nosso caminho. Tem medo que cursemos a alameda do pecado. Ele me ama, ou melhor, nos ama. É meu, é nosso. Nossa propriedade privada, indevassável, irretocável; silente e atento…

Nos cativou, por isto tem pousada no âmago de nossos corações, onde repousa sua velhice, seu cansaço; repousa suas ilusões, suas esperanças, seus medos…

É meu pai, nosso pai, que não morrerá nunca, apenas afastou-se um pouco para dormir o sono da eternidade junto ao Pai Celestial.

Sinto falta, sinto a saudade que dói, que machuca, que arde como ferro em brasa, queimando minha alma, lacerando meu espírito, devastando o mais profundo de meu ser, ainda, vivente, balançando ao sabor dos ventos outonais.

Perdi a matéria de meu pai, que tantas vezes velou por mim, meneando com desvelo, a rede do meu sono de criança, de ânsia de vida, de meus dias de descobrimentos.

Como dizia o “Pequeno Príncipe”: _você me cativou, por isto, se diz que vem às cinco horas, desde as três lhe espero.Ele me cativou, por isto, sempre estarei à sua espera… por tempos infinitos.

Durante sua estada em minha companhia, fomos amigos, companheiros; nos protegíamos mutuamente. Os conselhos e ensinamentos sempre partiam dele e, algumas vezes, com um tom de rebeldia, eu contestava seus ensinamentos, sabendo no fundo, que ele estava continuamente certo. Repleto de paciência e bom sendo, respeitava minha idade indômita, aventureira, a idade dos descobrimentos. Como foi bom viver ao seu lado…

Ele acariciava meu rosto com sua mão calejada do trabalho duro, durante todo o seu tempo de vida, na busca do provimento da família. Amei seus gestos, amei seus calos. Com os olhos baços, colocava na comissura dos lábios um sorriso de compaixão, de amor pela sua companheira, de seus filhos.

Ungia na espreguiçadeira a lassidão do dever cumprido, do caminho a meio percorrido. Nunca levantou a voz, nunca vergastou minha identidade. Respeito e carinho, eram o seu lema, sua diretriz. _pra que bater, se uma palavra basta, dizia…

Tenho uma saudade incontrolável de meu sábio pai, de sua companhia, de seus ensinamentos; tenho saudade de sua velhice, de sua pele enrugada, tenho saudade de seus cabelos brancos, tenho saudade de suas lagrimas de receios, de anseios, de aspirações e vibrações. Tenho saudade do calor de seu corpo alquebrado, do calor de suas palavras sabias, dos conselhos eretos, caminhando na senda da experiência. Ah! Como tenho saudade de meu velho pai, que do alto cintila para iluminar minha vida, minha matéria, meu caminhar, minhas incertezas…

De lá vela por mim, daqui velo por ele…

 

Anchieta Antunes

 

Gravatá- 25/09/10

 

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