Publicado por: alaompe | 29/10/2010

Ronaldo Souto Maior fala sobre seu livro ao JC Agreste

Uma pesquisa que começou a ser feita em 1959 ganhou forma de livro, com o título Bezerros, seus fatos e sua gente. O autor é o professor de história Ronaldo Souto Maior, bezerrense apaixonado pela cultura e pela história de sua terra. No trabalho, ele detalha aspectos políticos, culturais e folclóricos que fizeram a história da cidade.

JC – Como surgiu seu interesse pela história?

RONALDO SOUTO MAIOR – Nasci na Fazenda Caiana, no distrito de Sairé, antigo São Miguel, que na época pertencia a Bezerros. Desde pequeno gostava de ler. Meu pai tinha uma coleção de Búfalo Bill e eu adorava a história. Quando fui estudar em Bezerros comecei a criar mais gosto ainda pela leitura.

JC – Quando começou a escrever o livro?

RONALDO – Em 1957 quando fui estudar no Colégio Caruaru (agora Colégio Diocesano). Todo aluno novato tinha que fazer um relato de sua cidade. Peguei história de minha avó e fiz o trabalho. Depois, um primo sugeriu fazer uma pesquisa sobre a história de Bezerros. Em 1959, já em Bezerros, fui estudar no Colégio São José e comecei a pesquisar. O trabalho só foi concluído em 2003, quando fiz pós-graduação em história. Em 2005 saiu o primeiro volume. Agora lanço o segundo volume e o terceiro está quase concluído.

JC – A divisão é por ordem cronológica?

RONALDO – Não, por assuntos. O primeiro volume vai da fazenda que gerou a cidade, englobando a questão política. O segundo abrange os aspectos culturais e folclóricos.

JC – Como a cidade surgiu?

RONALDO – Os fundadores foram os irmãos José e Antônio Bezerra, que tinham uma fazenda conhecida como São José dos Bezerra. O local servia como criatório de bezerros para trabalhar nos engenhos. Na fazenda, eles construíram uma capela e o local foi crescendo. Com o tempo, o nome da cidade passou para Bezerros.

JC – Que fatos você destaca na área política?

RONALDO – Em 1925 houve uma invasão do domicílio do coronel José Pessoa na época da eleição. A polícia era do governo, que era contra o coronel. Mataram Flor Santa Cruz, correligionário de José Pessoa, e elegeram o candidato deles, Salviano Machado.

JC – Em relação aos papangus, o que o senhor descobriu?

RONALDO – Encontrei um documento de 1881, da Câmara Municipal, onde já se falava de papa angu. Eram os comedores de angu. Naquela época não era Carnaval, era entrudo. As pessoas se mascaravam, se vestiam com roupas esfarrapadas e saiam visitando os parentes. Então a criançada gritava nos terreiros: lá vem o papa angu! O comedor de angu. A palavra virou papangu.

JC – Que outros aspectos culturais achou interessante?

RONALDO – Na década de 20, o município foi conhecido como Odeon do Agreste, pela movimentação e riqueza cultural. Havia festival literário e musical, com palestrantes vindos de outros Estados. Hoje temos muitos estudantes, mas a questão cultural caiu muito.

JC – Que figuras se destacaram na parte cultural?

RONALDO – Temos nomes importantes, como doutor Hermílio Estevão de Lima, que construiu o primeiro hospital da cidade, em 1928. Ele merecia pelo menos um nome de rua, mas não é lembrado. Espero que o livro ajude a valorizar essa gente.

JC – Essas histórias estão preservadas?

RONALDO – Muito se perdeu. Em 1979 criei o Instituto de Estudos Históricos, Arte e Folclore de Bezerros, para resgatar e preservar a memória da cidade. Ano passado fundei a Academia de Letras, Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco para agregar toda a região e lutar pela memória história. As prefeituras não se preocupam em criar um sistema de preservação dos valores culturais. As prefeituras não se preocupam em criar um sistema de preservação dos valores culturais e é preciso preservar.

JC – Onde o senhor pesquisou para escrever o livro?

RONALDO – Em jornais, no Arquivo Público do Estado, arquivos particulares, da paróquia as fontes. JC Agreste/Bezerroshoje

Postado Por Lenilson www.lenilson.com.br

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Responses

  1. Muito bom saber que nossa história continua de alguma forma preservada. Gosto muito de história e me interesso bastante por documentos e fotos antigas, principalmente se retratarem as origens de nossa tão amada cidade dos Bezerros.
    Parabéns pela postagem!

    • É muito grato saber que existem pessoas sensibilizadas com o nosso passado, no qual encontramos verdadeiros exemplos de cidadania e civismo, o que nos falta é levar essa História para as escolas, estamos tentando através de palestras nas es colas públicas e particulares, mostrando a importancia da leitura aos alunos e professores. Resta tão somente aos políticos tomarem iniciativas para levar o livro da História local para as BIBLIOTECAS. PARABENS Juliano, voce que mostra interesse pelo nosso grandioso passado.

  2. Sempre fui um admirador do professor Ronaldo Souto Maior, tanto pela sua escrita fácil, como pela sua perseverança em escrever a nossa história, mesmo sabendo que o hábito da leitura é uma raridade em nossa cidade, principalmente quando se pauta a história bezerrense, desde suas origens e até a parte da nossa cultura, tão rica, mas paradoxalmente desprezada pela nossa gente, especialmente a nata social dos nossos conterrâneos. Por ser um historiador doutrinado, Ronaldo é merecedor de todas as homenagens e prêmios que lhe outorgam e deixará um grande e perpétuo legado para todas as gerações vindouras, que nunca conseguirão sequenciar a nossa história sem o nome do jornalista, advogado, professor e historiador RONALDO SOUTO MAIOR. Um grande abraço professor.


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